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sábado, 26 de novembro de 2016

30 anos para mudar tudo!

Talvez alguns me critique, outros me elogiem, e outros mais achem que o que escreverei é besteira, invencionismo de quem sonha com um país que não existe.

Sempre haverá um novo dia! (foto by Sérgio Cruz).
Mas, a verdade é só uma: o Brasil está fadado ao sucesso... DESDE QUE SEJA LEVADO A SÉRIO!

Nosso país passou recentemente por uma mobilização nacional para retirar do poder um partido eleito democraticamente. Tudo bem que na última eleição pairam dúvidas sobre o resultado, mas nenhum órgão internacional levantou qualquer questionamento sobre alguma forma verdadeira de burlar o sistema eleitoral brasileiro até hoje.

Hoje, temos um presidente que foi legitimamente eleito vice-presidente e legitimamente assumiu a Presidência após um processo constitucionalmente válido e procedimentos legais. Mas, a transição não é fácil, tanto no Brasil quanto no mundo. Estamos num período mundial em que o velho padrão já não consegue "realizar" e o novo ainda não nasceu efetivamente.

Mas, vamos nos ater ao nosso país. Com a posse do vice, uma nova esperança surgiu. Veio com um português irretocável, palavras de otimismo quanto a atitudes sérias e necessárias, sem interesses em reeleição e sim num Brasil melhor - pelo menos é o que disse, vamos ver se vai levar o país a sério.

Encerrou-se um período que será possivelmente conhecido, no futuro, como um dos mais nefastos à economia brasileira, perdendo talvez para o final do Regime Militar e para a quebra do café. E digo isso apresentando meus motivos: O PT não fez o que sempre defendeu e mostrou-se como os personagens principais do livro "A Revolução dos Bichos"! Perderam um momento histórico de entrarem para a eternidade como o partido que levou o país ao primeiro mundo. Preferiram entrar negativamente na história, envoltos num mar de corrupção.

Se fizeram avanços? Sim, fizeram. Mas que não encaminham o país para um futuro melhor, na minha visão, posto que muitos tem caráter assistencialista "eterno". Dos que eu lembro e considero verdadeiros, foi o aumento no ganho real do assalariado, melhoria da vida do interiorano com o projeto Luz para Todos, fomento as pesquisas de tecnologia para exploração de petróleo oceânico que levaram ao pré-sal ( e vou me abster de comentar sobre Petrobrás na era PT)

E o retrocesso? Passaram 14 anos no poder e não fizeram a reforma tributária (e ainda fomentaram o aumento de impostos); nem partidária e a política (onde poderiam ser corrigidos os salários indiretos do Congresso e "podado" os partidos políticos criados apenas para fins de negociações eleitorais); assim como a previdenciária EFETIVA, onde poderiam ter colocado os cargos mandatários vinculados ao INSS em vez de institutos previdenciários e de assistência médica fechados (como ainda são concedidos aos deputados e senadores de forma vitalícia). Fora que em vez de fortalecer as Universidades Públicas, preferiu criar fundos de financiamentos estudantis onde o estudante já sai endividado das universidades particulares sem sequer estar empregado ainda (destaco que isso seria o certo caso nossa economia fosse estável e com baixa inflação, o que não ocorre com nosso país, que tem uma das maiores taxas bancárias do mundo!), em vez de fomentar a universidade pública.

Bem, não entrarei nos outros mais erros daquele governo, pois não há relação com o título. Todavia, foco em um dos projetos que poderiam ter dado certo: o Bolsa Família.

Sob minha ótica, iludiram o povo com o Bolsa Família, que fomentou a retirada de muitas da condição de miseráveis, mas não criou uma sociedade melhor, apenas uma sociedade mais consumista (ainda lembro de uma mãe reclamando que o valor tinha que aumentar pois não conseguia comprar sequer uma calça jeans de R$ 300,00 para a sua filha - é só fazer a busca no Youtube).

E na onda do populismo alcançado com tal "bolsa", muitos governadores se aproveitaram e criaram suas Bolsas Família estaduais, visando unicamente criar os seus "currais eleitorais". E hoje, alguns Estados sofrem as consequências, aliada a má-gestão administrativa - e muitos ainda irão sofrer, penalizando seus habitantes.

Então você poderia perguntar "e o que você faria se não fosse o Bolsa Família pra melhorar o Brasil?". Eu digo: um projeto maravilhoso de criação de renda mínima temporária que eu chamaria de Bolsa Família! Sim, o objetivo do projeto é bem interessante, visto que foi a união de programas criados pelo FHC e Lula (Bolsa Escola + Cartão Alimentação + Auxílio Gás + Fome Zero e outros), facilitando o controle. Mas, eu daria outra conotação que não a consumista (esta, deveria ficar para um segundo plano no projeto).

O objetivo primordial seria usar tal projeto para se fomentar a educação do brasileiro de classe baixa. Para isso, deveriam ser criada a obrigatoriedade dos pais se apresentarem nas reuniões das escolas, acompanhar o desempenho do seu filho e cobrar um melhor estudo do diretor da escola (e não criar formas de "maquiar" a aprovação dos alunos, como se vê em muitos Estados). A manutenção do benefício somente seria mantido caso os filhos tivessem média 6,5 e a escola, média 8,0, o que causaria uma pressão dos pais por resultados (claro que com escalas de metas e planejamento a longo prazo, parecidos com o apresentado no IDEB). Com o acompanhamento e cobrança dos pais, as metas escolares seriam forçadas a serem cumpridas.

Não tenho dúvida que o Brasil, em 13 anos de existência desse Plano com esse foco, já estaria em outro patamar!

Aí você poderia dizer "como é que você afirma isso?". Pautado no que a história apresenta! Países como a Alemanha, o Japão pós-guerra e a Rússia revolucionária (1917), que através de projetos ousados e de longo prazo rapidamente retornaram ao seu patamar de superpotência.

Ok, você pode dizer que nunca fomos superpotências! Tá certo, então vou dar exemplos distintos onde EM 30 ANOS, UM PAÍS PASSOU DE 3o MUNDO PARA 1o MUNDO:

- Singapura: em 1958 deixou de ser uma colônia britânica usada como entreposto comercial ao alcançar sua independência.Porém, seus primeiros anos foram fazendo parte da Federação Malaia (atual Malásia) e em 1965 ela deixou a Federação e fundou uma República Parlamentarista. A partir dessa época é que inicia sua mudança de país com altas taxas de analfabetismo e desemprego, sendo quase uma grande favela como hoje vemos em alguns países africanos, para um dos maiores IDHs e renda per capita do mundo! E a trajetória passou principalmente por 3 pontos básicos: Educação, Judiciário rígido e convites a multinacionais para instalarem polo fabril lá. Todavia, a sua maior atenção foi com a educação, valorizando a pessoa do professor como mestre (inicialmente, sem incentivos a melhores salários) e separando as turmas entre os que aprendiam rapidamente e os que tinham mais dificuldades. Nessa segunda sala, a dedicação do professor era mais cobrada do que no primeiro tipo de turma, buscando nivelar essas turmas. Paralelamente, o Judiciário julgava os crimes independente da posição social do criminoso, sendo aumentada a pena para casos em que o criminoso tem maior nível social ou financeiro, inclusive com a possibilidade de aplicação da pena de morte. Por fim, com a chegada das multinacionais (que trouxeram o conhecimento científico e tecnológico), o incentivo as famílias para desenvolver empresas tecnológicas que dessem apoio, além de fomentar o estudo tecnológico e científico para quem tivesse empresa. Resultado:  em 30 anos a pequena nação virou uma superpotência, saindo de uma renda per capita de USD 400.00 em 1960 para mais de USD 52,000.00 em 2015, e o décimo primeiro melhor IDH do mundo, com 0,912 pontos (o Brasil é o 75o).

Como podem dizer que lá é uma ditadura disfarçada, trago um segundo país:

- Finlândia:  nos anos 60, esse país tinha uma economia predominantemente do setor primário, sendo um dos maiores fornecedores de madeira e seus derivados para os outros países da Europa, com sua população sendo predominantemente rural e sistema de saúde debilitado, com altos índices de morte por problemas cardíacos. Tudo mudou quando no início dos anos 70 o Governo resolveu mudar a sua educação e saúde. Primeiro, mudou a forma de ensino, capacitando os professores, incentivando o ensino superior e iniciando um acompanhamento para identificar os alunos mais fracos e cobrar dos pais que também os acompanhassem. Na questão da saúde, iniciou um plano piloto de acompanhamento dos habitantes de uma cidade por seus próprios habitantes, numa espécie de "médico da família" pelos vizinhos objetivando a implantação de uma melhor alimentação e a diminuição do tabagismo - sendo expandido para todo o país após o retorno satisfatório do trabalho. Por fim, com o crescimento do nível educacional e visando fomentar o desenvolvimento das empresas, privatizou as empresas estatais nos anos 80, mantendo-se com uma pequena participação, com diminuição de tributos às empresas que trabalhassem com tecnologia e exigissem empregados com nível superior formados nas suas faculdades. Porém, aumentaram os impostos nos produtos de consumo para compensar tal diminuição feita com o incentivo. Nos anos 90, um impasse se criou, pois o país já tinha um nível educacional altíssimo, com as empresas e o governo incentivando as pesquisas científicas e tecnológicas, além do registro de patentes, mas a sua economia se encontrava recessiva pela desintegração da União Soviética - uma das mais fortes parceiras comerciais que tinha. Resolveu então se filiar ao Euro, sendo um dos fundadores dessa comunidade econômica e o primeiro a usar sua moeda. Mais uma vez focou na Educação, reformulando os cursos superiores, e no fomento tributário as empresas de tecnologia. Conseguiu uma transição que resultou num país que hoje está entre os 10 melhores na renda per capita e no IDH, e já pensa em criar uma distribuição de renda média para TODOS os seus habitantes, com um plano ousado a ser implantado no início de 2017 no setor previdenciário (para mais infos, busque no Google). Vamos ver se, mais uma vez, esse país estrutura um norte a longo prazo para os países que buscam maior igualdade social.

Assim, vemos que esses dois países - que tinham um povo pobre num país pobre de recursos, e hoje tem um povo rico num país pobre de recursos, mas rico financeiramente - conseguiram com projetos de longo prazo, seguidos pelos seus governantes - independente da ideologia - apenas fazendo pequenos ajustes.

O Brasil, que perdeu 14 anos com projetos que visavam altas despesas para um crescimento a curto prazo - como os PACs que viraram um fundo de despesas gerando empregos sem qualificação e o Bolsa Família para fomentar o consumo - e vem perdendo ainda com o novo Governo, que não apresenta planos educacionais sérios, apenas projetos para "apagar fogo" das contas que não fecham deixadas pelo governo anterior, diminuindo os gastos sociais em vez de fazer um corte nos benefícios dos cargos mandatários por meio de uma reforma política (nenhum dos países citados neste artigo gastam mais de 0,03% do seu PIB com o parlamento, enquanto o Brasil gasta 0,19%).

Diferente desses países, o Brasil é um país com um povo pobre, mas rico em recursos. Além disso, não se vê nenhum plano de transição da economia do primeiro setor para o terceiro setor - que é o que esses dois países fizeram ao incentivar a economia de tecnologia.

Se em 2002, aproveitando a estabilidade econômica dada pelo governo anterior, o Governo houvesse criado um plano educacional sério para desenvolvimento dos estudos em um projeto de 30 anos, já estaríamos na metade da sua implantação e já teríamos uma posição muito melhor no mundo quanto ao conhecimento em matemática e ciências, em vez dos deploráveis resultados, que só caem a cada ano que passa.  

Por fim, transcrevo o texto do livro "A Vida da Razão", publicado em 1905 pelo filósofo espanhol George Santayana, mais precisamente no volume I, ali no capítulo XII:

“O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os selvagens, a infância é perpétua. Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

Reafirmo: o Brasil está fadado ao sucesso SE FOR LEVADO A SÉRIO! Acorda, meu povo!


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vamos plantar Tâmaras?

* Tamareira tirada de denisegomesludwig.blogspot.com.br
O Brasil passa por mais um processo de limpeza social. Sai o governo Dilma, entra o governo Temer... Mas, o mais importante é a Operação Lava-jato. É essa que verdadeiramente deve mudar nosso país. Pelo menos, eu espero.

Porém, sei que essa mudança não ocorre em apenas uma geração. Nos Estados Unidos, a corrupção já foi tão grande quanto no Brasil atualmente. Os famosos milionários americanos, como Os Rockfellers, os Vanderbilts e os Carnegies dominaram a economia no século 19 e, com o seu poder econômico, impunham as suas leis, comprando políticos e até a imprensa. Abusavam do seu poder fazendo com que seus empregados recebessem salários baixos e sem nenhum direito trabalhista, numa época em que o capitalismo selvagem imperava pelas bandas de lá. Entretanto, ao final da vida, muitos reformularam esse caráter e se tornaram benfeitores.

Recentemente foi feito um teste social em Nova York e Rio de Janeiro. Consistia em ver o quão honesto é o povo. Colocaram uma banca no meio da rua com diversos relógios, uma caixinha transparente e um aviso de quanto custava cada um. Não havia vendedor. Caso a pessoa quisesse o relógio, deveria depositar o dinheiro na caixinha. Resultado: EUA: 4 vendidos e pelos valores corretos. Brasil: 1 vendido, 5 roubados, inclusive a caixinha com o dinheiro! E nem se pode falar que eram viciados, pois as duas cidades são conhecidas pelo alto índice de usuários de droga.

Mas, o que ocorreu lá que mudou o povo? Como é que aquela nação se tornou um dos países com os cidadãos entre os 10 mais probos do mundo? (o primeiro, é o cidadão dinamarquês).

Bem, o que ocorreu é que as instituições mudaram. Ou melhor, as pessoas que conduziam as instituições! O povo - comandado pela classe média - começou a exigir mais seriedade do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal (FBI). Aliada a isso, os dirigentes e participantes dessas instituições - muitos oriundos da classe média também - passaram a se desvincular dos políticos e dos empresários, sem pensar se poderiam perder o cargo ou se sofreriam sanções que os alijariam do crescimento profissional, tomando para si o ônus da probidade em respeito a sociedade.

Além disso, vieram as guerras mundiais - onde os heróis das batalhas entenderam que deveriam dar o exemplo aos jovens - e o comunismo. Isso! O comunismo! A sua função naquele país foi criar a ideia anticomunista, onde nada é conseguido sem suor e que o assistencialismo estatal é uma vergonha para quem pode trabalhar. Ou seja, para contrapor a ideia de que "tudo deve ser de todos", aquela sociedade passou a aplicar que "todos podem tudo, desde que respeitem o próximo e se esforcem para alcançar o que querem". É o famoso american way of life , onde qualquer indivíduo, independente das circunstâncias de sua vida no passado, poderia melhorar a sua qualidade de vida no futuro através de determinação, do trabalho duro e da habilidade.

Claro que esse sonho americano não quer dizer que a sociedade de lá é perfeita. Ela tem seus defeitos, como o consumismo exacerbado, a competição desenfreada e outras vertentes danosas. Mas, o foco é que o povo se tornou honesto e cumpridor das leis - que é o ponto deste artigo.

Mas, e aqui no Brasil? Podemos sonhar com esse ideal de honestidade diante das mudanças que estamos sofrendo? Sim, claro! Como diz um samba-enredo, sonhar não custa nada!

A sociedade já passou a cobrar, nas ruas, que os políticos melhorem (vamos ver se isso vai se reverter em votos melhores nas urnas). Dessa cobrança - iniciada em 2013 - é que surgiu a lei da delação premiada. Pressionados pelo povo nas ruas, a Dilma a criou e o Congresso aprovou. Hoje, os resultados já aparecem.

As instituições federais, tanto Ministério Público quanto a Justiça e a Polícia Federal, estão em um processo de renovação onde os novos dirigentes estão se comprometendo com a Sociedade e não com o Estado, tornando-se exemplos para que as estaduais sigam esse passo. E se houver a cobrança das leis - no sentido de que sejam aplicadas - a mudança será mais forte.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais alertou para os desvios sociais que impedem o crescimento da sociedade como um todo e, dentre eles, a corrupção está no topo.

Assim, é preciso agir no sentido de evitar a corrupção nos níveis mais baixos, combatendo a causa e não somente as consequências. Para tanto, um bom começo é nos policiarmos quanto algumas práticas ilícitas rotineiras, tais como:  

- Querer levar vantagem em tudo (já evito desde a adolescência. Negócio bom é quando é bom para os dois - será que por isso que não sou milionário? rsrsrs. Tou feliz com meu padrão de vida);

- Desrespeitar o direito alheio (já evito desde quando me formei, tendo consciência das leis);

- Enganar ou prejudicar (já evito. Sempre penso na lei do retorno. Se eu engano, não poderei ficar chateado quando for enganado);

- Burlar leis do trânsito (eu me esforço. rsrs. Mas parar em vaga de idoso ou de especiais, NUNCA! Nem por 5 minutinhos - é sério mesmo!);

- Subornar para conseguir se livrar de multa ou algum benefício (já evito, inclusive já tive meu carro levado para o "curral" pela polícia e paguei 8 vezes mais do que pagaria subornando, mas se eu estava errado, a responsabilidade é minha e tenho que assumi-la);  

- Não pagar impostos (tou tentando. rsrsrs. Mas, é difícil imaginar que meu dinheiro vai se perder em uns 50% até chegar nos serviços sociais do governo. Mesmo assim, faço o mínimo...peço nota fiscal SEMPRE, independente de colocar o CPF nela ou não);  

- Mentir (tou quase lá, mas falar a verdade assusta as pessoas, é incrível. Pelo menos, passam a confiar mais no que eu falo);

- Falsificar (tento evitar ao máximo, mas tem cliente que insiste muito nisso, pedindo para eu assinar algum documento, falsificando a assinatura deles, porque estão sem tempo de vir no escritório. Pelas minhas negativas, acham que sou muito "certinho", pode?);

- Dar ou aceitar troco errado (Esse é engraçado. O povo tá tão acostumado a não ser avisado do erro no troco que até brigam. Outro dia uma caixa deu o troco errado - 10 reais a mais - e eu disse "tá errado o troco" e ela rebateu "tá não, senhor. Verifica de novo porque tá certinho". Conferi e de novo "tá errado!", e ela quis ser teimosa comigo até o momento que eu falei "ok, então vou ficar com os 10 reais a mais, já que você tá dizendo que tá certo. Muito obrigado". Aí ela deu um pulo. kkk);

- Não cumprir deveres (já evito e cobro das pessoas que me cercam. Leis são para se respeitar. Não existe nada que seja irrelevante, pois tudo tem seu motivo)

Uma coisa é certa nesse momento: a principal mudança tem que vir do povo! Claro que a ausência de fiscalização do estado por parte do cidadão, a renovação sistemática do mandato de maus representantes e dirigentes por parte dos eleitores, estimula, gera, abona a corrupção. Mas temos que entender que corrupção não é só o roubo do dinheiro público. Corrupção é corromper as leis em favor próprio! E nesse sentido, o jeitinho brasileiro deve ser extirpado de nossos pensamentos. Honestidade é agir corretamente mesmo nas pequenas questões. Assim foi nos EUA, onde o processo demorou em torno de 60 anos para tal pensamento se consolidar naquela sociedade e ela se tornar mais justa.

Por esse motivo, temos que dar o exemplo! Nós, os adultos, somos o espelho dos adultos de amanhã. Somos fundamentais nesse processo de mudança em prol de uma sociedade íntegra. Temos que mostrar nossa retidão aos nossos filhos e sobrinhos e cobrar deles a mesma retidão para que estas práticas cessem ou não façam parte das atitudes da família. Só assim nosso País sairá do "país do futuro" para ser um país do presente.

Se isso não acontecer, não vai adiantar cassar e caçar os políticos que não conseguirem esconder as suas sujeiras, pois a sociedade não terá mudado e, por conseguinte, os políticos e o Brasil também não. Irá ocorrer o que aconteceu na época do Collor: usa-se um "boi de piranha" para se dizer que o país tá limpo para deixar que uma nova casta de políticos corruptos continuem sendo o exemplo de como o povo deve ser honesto: somente se tiver alguém vendo. Se não tive vendo - como no teste dos relógios - tem que se aproveitar o máximo em prol de si mesmo.

Ah, mas você deve estar se perguntando: por quê esse título do artigo?

Existe um ditado árabe que recebi outro dia e que diz: "Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras!". Isso porque antigamente as tamareiras levavam de 80 a 100 anos pra produzir os primeiros frutos. Atualmente, com as técnicas de produção modernas, esse tempo é bastante reduzido, porém o ditado é antigo e sábio.

Conta-se que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando se não vai estar vivo para colher os frutos?”.

O senhor virou a cabeça e calmamente respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”.

Ou seja, não importa se você vai colher, o que importa é o que vc vai deixar! Cultive, construa e plante ações que não sejam apenas para você, mas que possam servir para todos, seja hoje ou no futuro. Eu já estou plantando minhas tâmaras, e você?

domingo, 24 de janeiro de 2016

Brasil: uma civilização em atraso.

Campo de Concentração de Dachau, ALE
Todas as vezes que viajo ao exterior, deparo-me com uma diferença enorme entre o povo civilizado do primeiro mundo e o do terceiro mundo.

No primeiro mundo, o respeito ao outro e ao que fizeram os antepassados, são a tônica da sociedade. Aprende-se com os erros. Não se vê a preocupação do imediatismo, do "eu só planto o que eu vou colher". Não existe a ideia de que se eu tou tirando vantagem do outro é porque sou esperto e o outro, idiota. Não!!!

Lá, planta-se para que eu ou outros, ou ainda, a próxima geração, colham os frutos e se deliciem-se com seu sabor, agradecendo a quem um dia plantou aquela árvore, mesmo sem conhecê-lo.

Lembro que quando houve o tsunami no Japão, um repórter brasileiro vendo um senhor colocando as coisas numa parte alta da sua rua, perguntou como ele iria fazer para proteger tudo aquilo, já que só teria uma nova casa após a reconstrução da que a água levou. Ele disse que ficaria tudo lá. Mais uma vez, o repórter tupiniquim perguntou "mas, o senhor vai deixar tudo aqui, sem proteção alguma?", obtendo como resposta  que iria deixar tudo coberto com plástico ou tecido (não lembro direito). Mais uma vez, o repórter insiste: "O senhor não tem medo que roubem tudo?". O senhor japonês, no alto dos seus setenta e poucos anos, olhou sem entender a pergunta: "Como assim? todos aqui sabem que esses móveis são meus. Por que alguém roubaria?". Sim, ele sabia que os cidadãos daquela cidade não teriam porque roubar algo que lhe pertencia. E é assim na grande maioria dos países verdadeiramente civilizados.

Nos metrôs ou bondes em muitas cidades desses países, não há sequer catracas ou algo similar, onde se deva apresentar o ticket antes de entrar. Em outros, apresenta-se para passar na catraca apenas para validá-la. Um professor brasileiro que foi fazer um curso em Estocolmo-SUE, percebeu logo nos primeiros dias que haviam catracas no metrô de lá, mas também um acesso livre. Vendo que ninguém passava por esse caminho, foi perguntar na cabine de venda de tickets o motivo de estar ali, sem ninguém para fazer a segurança daquela entrada aberta. A resposta do atendente: "Essa é a passagem para quem, por algum motivo, não pode pagar pelo ticket por não ter dinheiro". O professor, com mestrado e toda a educação necessária para se fazer um cidadão, indagou: "E se a pessoa tiver dinheiro e simplesmente quiser burlar a lei?". O cidadão sueco, empregado para a venda de tais tickets, com um sorriso inocente no rosto, respondeu: "mas, se ela tem condição, por que ela faria isso?".

Em tais sociedades, qualquer ato de se levar vantagem em relação a sociedade é tida como uma prova de mau-caratismo, de ser uma pessoa egoísta e ambiciosa, de alguém que não pensa sequer no que a sociedade vai proporcionar aos seus filhos, netos e demais descendentes.

No Brasil, a civilidade está em ser educado. Mas educado no sentido de polidez e não em seus atos em prol da sociedade. Idolatramos o esperto, o que sempre consegue fazer negócio tirando a maior vantagem possível do outro. Reverenciamos quem tem o carro mais caro, a roupa de marca, o "rasgar-dinheiro" sem motivo nobre. Criticamos quem pula a catraca, mas achamos correto ficar com o troco errado, quando for a favor de nós (e sem imaginar que aquele erro a pessoa no caixa vai pagar do bolso dela).

Aí, pergunto-me: somos realmente civilizados?

Em países da América Latina, a realidade é similar à Brasileira. Então, questiono-me; como chegamos aqui? Porquê não conseguimos evoluir como cidadãos?

É, chegamos aqui porque o exemplo vem de cima. Os políticos, que são quem a grande maioria da população acredita ser um "grande pai", responsável por sua melhoria de vida, demonstram que o importante é assegurar o seu e, depois, se sobrar algo, o dos outros. Pais oferecem propina para policiais se fazerem de cegos na frente dos seus filhos. Mães se vangloriam da inveja que causaram por ter um produto ou roupa cara ou de marca na frente das filhas. Sindicatos alardeiam que o FGTS (que não é incorporado ao salário líquido para compor um fundo de "proteção" administrado pelo governo, com rendimentos piores que a da poupança) e o INSS (que promete uma aposentadoria onde se vai ganhar menos que o último salário que se recebeu e terá reajustes menores que o salário mínimo, chegando a valer, em 10 anos, metade do primeiro que recebeu) são direitos maravilhosos e que não devem ser retirados dos trabalhadores , talvez por considerá-los incompetentes para administrar a própria vida.

Talvez seja isso! A vontade de se considerar mais inteligente que a média e o assistencialismo em todas as áreas faz com que as pessoas achem que o que elas fazem é o correto, pois não é sua culpa se a Justiça não é rígida, se a empresa aumenta o preço das coisas, se a vizinha prefere pagar um curso para a filha do que comprar uma bolsa de marca...

Lembro-me de um jornalista de Brasília que veio a Manaus nos anos 90, e da redação pegou carona com um auxiliar para o seu hotel. Percebeu que ele estava saindo da empresa com todos os vidros fechados, tendo apenas pequeno ventilador embaixo do painel na direção do motorista. Perguntou por que, naquele calor de quase 40 graus, ele mantinha tudo fechado. Resposta: "É para as pessoas acharem que eu tenho ar condicionado". E ainda pediu para o jornalista não abrir a janela!

Isso é um triste fato que prova que não nos incomodamos com os outros, mas sim, com o que os outros pensam de nós.

Espero que um dia o brasileiro entenda que plantar uma castanheira, que leva 40 anos para dar frutos, é tão vantajoso e importante quanto um pé de maracujá, que já tem frutos com 5 meses.

Eu tou fazendo a minha parte. E você?