Será que sabemos quando o nosso par é alguém para o resto da vida?
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| Rio Negro, próximo a Barcelos-AM. Foto by: Sérgio Cruz |
Recentemente tive contato com uma pessoa amiga que, com mais de 30 anos, está vivendo uma paixão adolescente sem perceber. Tudo graças a um coração predisposto a isso, e a busca por uma pessoa que corresponda a um conjunto de expectativas que todos nós formamos ao longo da vida.
Mas, isso não é demérito ou negativo... Pelo contrário! Entregar-se a uma paixão avassaladora é uma das melhores coisas que o ser humano pode viver. Nosso corpo é inundado pelos hormônios da dopamina e da norepinefrina (por isso o coração batendo mais forte, a falta de fome, o estado "hipnótico", o sentimento de felicidade eterna e de realização, etc), fazendo com que sintamos sensações gostosas, felizes e emoções fortes.... tudo isso é bom desde que tenha consciência disso.
Caso não tenha tal consciência, há o perigo de grande sofrimento... não pelo fim do namoro (ou até casamento), mas por acreditar - como os adolescentes - que aquele amor é eterno e infindável, e o fim de um sonho (ou, mas acertadamente, uma ilusão), é muito cruel com as pessoas.
Talvez, eu esteja sendo muito "grosso" ao afirmar isso (podem pensar algumas pessoas), mas acredito no amor eterno e infindável, onde dois seres humanos se encontram e, como em um "milagre" nos dias de hoje, decidem caminhar a dois durante toda a vida. Pelo menos, eu espero isso para mim.
A questão dessa pessoa, em especial, é que uma vez me mandou uma lista (tirada da internet, de um blog de uma pastora) sobre como identificar um verdadeiro amor eterno, incluindo prazos, análises e passos a serem tomados e... simplesmente ela não seguiu nada daquilo que ela entendeu como prerrogativas para um casamento duradouro e feliz!
E tudo isso por causa do feitiço que a paixão causa nas pessoas. Nada do que se diz, se fala e se acredita são levados em conta, sendo tudo esquecido para viver aquilo que inebria, que cega. E não adianta os amigos avisarem pois, para a pessoa, nada do que for dito será verdade. E ainda corre o risco de se afastar, achando que o(a) amigo(a) está "com inveja da felicidade e do grande amor que eu estou vivendo".
É uma pena, pois os amigos e os pais são os grandes arautos da consciência quando o assunto é paixão (mas, sabemos que sempre são colocados de lado caso não aceitem-na). Deveria ser como se fosse o "estudo sobre a cegueira", onde quem está cego deve confiar plenamente nas pessoas que estão vendo a situação. Mas, é ao contrário. Quem se apaixona não quer ouvir nada contra, só a favor. Sendo que quem falar algo "contra" torna-se inimigo eterno (ou até quando a venda cair).
Claro que existem aquelas pessoas que realmente estarão com inveja ou ciúmes da relação apaixonada, mas para isso é que se deve levar em conta as amizades que consideramos mais conscientes e nunca, repito, nunca acreditar em apenas uma opinião.
Agora, um fato que complica mais ainda a situação da minha amiga é que, com menos de um mês de relacionamento, o rapaz viaja para passar um mês fora. Esse fato único cria um vórtice na paixão que a eleva a estratosfera, deixando a pessoa em um estado inalcançável para ser alertada pelos indícios de que a outra pessoa não é a pessoa certa para ela. É quase uma paixão platônica.
O afastamento faz com que a mente fantasie situações como se elas fossem únicas. Coisas do tipo "ah, o mô me ligou de madrugada e ficamos horas conversando...", "ah, o mô deixou os amigos só pra ficar no telefone comigo...", "ah, o mô me mandou uma música que é somente nossa...", "ah, o mô disse que vai pagar uma fortuna de passagem de avião só pra vir aqui no feriado me ver, depois ele volta pra terminar o curso...". Para a minha amiga, isso tudo - aliado a beleza física do rapaz e ao romantismo dele - é indicativo de que ela achou o homem da vida dela, como se nenhum homem jamais fizera isso por ela (o que pode ser até verdade) ou que jamais fizesse tais coisas por outra pessoa. Na minha opinião, ledo engano...
O rapaz tem valores familiares, tem estrutura financeira, está em busca de casamento e tem determinação: coisas essenciais para uma mulher que está procurando casamento (e ela está). E assim, houve a "identificação", que faz com que se pense ter encontrado um ser humano único. Mas, ela ainda não percebeu que eles são de mundos distintos... E só espero que ela não descubra isso tarde demais, quando tiver casada e com filhos.
Talvez esse seja o ponto que me incomoda, pois uma paixão dura entre 6 meses a 3 anos (conforme pesquisas) e, ao final desse período, quando o amor começa a dar as caras - analisando a estabilidade da relação, o que incomoda e o que agrada verdadeiramente - é que o casal passa a verdadeiramente analisar os defeitos da outra pessoa e, em especial, se o amor surgido consegue suportá-los.
Se suportar - e não pensar em mudar a outra pessoa à força (outras técnicas podem ser tentadas, ok? rsrsrs) - então, as chances são grandes de dar certo. E se houver companheirismo, cumplicidade, respeito, bom humor, sexo razoável (claro que o ideal é que os dois saibam manter a chama acesa, tornando-o sempre maravilhoso), estamos verdadeiramente num platô de amor eterno, de relacionamento até o fim da vida...
Como advogado, vejo pessoas frustradas porque casaram-se apaixonadas, depois começaram a amar e, então, identificaram que o casamento não devia ser só aquilo. Pensaram que faltava algo (e realmente faltava: ou companheirismo, ou cumplicidade, respeito, bom humor ou sexo, no mínimo, razoável, como já disse). E chegavam a "brilhante" conclusão que essa falta era de um bebê na relação. Mas, não era... Enfim, no final acabam identificando que o mundo dos dois são distintos (como já identifiquei no caso da minha amiga e ela ainda não) e que não querem viver aquilo pra sempre (alguns se obrigam só por causa dos filhos, uma pena). E aí, vem a separação e toda a dor de um sonho acabado....
Se você está em uma situação dessas - seja da paixão ou do reconhecimento dos mundos distintos - uma dica para cada situação:
1. Estando apaixonada(o), não tome uma decisão enquanto não identificar pelo menos 4 coisas que incomodam na pessoa e analise se aguentará aquilo daqui a dez anos (imagine se seu pai ou mãe tivessem esse defeito. Você continuaria morando na mesma casa eternamente?). E atenção às críticas das pessoas próximas, por mais cruéis que você ache (descarte os elogios, que apenas contribuem para a "cegueira").
2. Se está identificando os "mundos distintos", reanalise o que te fez se apaixonar pela pessoa. Estabeleça um prazo (no mínimo 6 meses, mas recomendo 1 ano) e dedique-se ao máximo para vê-la feliz e, durante o processo, identifique se aqueles pontos que te fizeram se apaixonar aparecem. Se aparecerem, se aflorarem, e se te encantarem 50% do que te encantava antes, então seu relacionamento tem jeito!!! Há salvação!! Só precisa focar no crescimento do companheirismo, cumplicidade, respeito, bom humor e sexo. Se não aflorar, ou não te emocionar muito, é melhor se separar e acreditar que Deus separou alguém para te fazer feliz na terra, mas que o seu par atual só pode ser um bom amigo.
Caso identifique que a pessoa amada é que está se afastando, a técnica é a mesma: dedicação máxima a fazer tudo o que faziam no início do relacionamento durante um prazo. Caso veja que não reacendeu a chama na pessoa amada (e não estou falando de sexo, mas do amor), se ela não demonstrou atitudes da época da paixão, então converse longamente com ela, abra o jogo e cheguem a decisão que for necessária: continuar ou virar amigos.
Mas, porque eu nomeio esses cinco itens como essenciais para um casamento feliz e eterno?
Primeiro, lembre-se que um dia o sexo vai acabar, os corpos ficarão velhos, cansados, sem energia para aquelas incansáveis noites de amores ardentes e prazerosos. Sobrará apenas dois seres onde o sexo ardente já não faz falta, mas sim outras formas de contatos físicos (incluindo os sexuais, claro). O vigor físico dará lugar a flacidez. A beleza admirável vira rugas e pele sem elasticidade. Os diversos assuntos e novidades se transformam em conversas banais e lembranças dos momentos bons vividos. E é nesse ponto que a vida a dois se mostra e o amor se consolida.
E essa consolidação exige:
- COMPANHEIRISMO, pois o seu par deverá continuar sendo o(a) seu(sua) maior amigo(a). E onde o silêncio não incomoda, pois só em ter a presença da pessoa amada ao seu lado é suficiente para se sentir bem e amparado(a);
- CUMPLICIDADE, que é a capacidade de ser verdadeiro(a) com o par, sentindo-se à vontade para falar de tudo - mesmo sabendo que ele(a) vai "resmungar" e criticar - e até ser inconveniente com uma crítica construtiva (eu disse construtiva, o que elimina a possibilidade de críticas cruéis ou agressivas). Assim como se sentir à vontade para escutar a "grosseria" ou a crítica do par por entender que é um desabafo ou ponto de vista da pessoa que ama;
- RESPEITO, pois a cumplicidade, muitas vezes, é mal interpretada e, para isso, deve-se ter o respeito pela pessoa amada e, em vez de agredi-la pela crítica ou afirmação recebida, fazer a empatia e tentar respeitar a posição alheia. Deve-se sentir a necessidade de se colocar os pingos nos "is", tentando um compreender o outro, com diálogos e compreensão fortalecendo o respeito de um pelo outro, e do casal pela relação. Fora que não se pode esquecer o respeito pela individualidade de cada um;
- BOM HUMOR, que é o que mantém qualquer relacionamento estável, mais leve e mais gostoso. Ideal para aqueles momentos em que as conversas ficam muito duras ou a vida muito pesada. É o que evita discussões acirradas e sem respeito. E quando eu falo bom humor, até uma pessoa rabugenta tem seus momentos de alegria com quem ama, tomando atitudes alegres e que demonstram o carinho que ela tem pelo par.
- SEXO AO MENOS RAZOÁVEL, porque o vigor físico se vai, mas novas formas de se fazer amor são descobertas se o casal tem todos os outros itens anteriores. O sexo selvagem dá lugar ao carinho despretensioso. Os orgasmos múltiplos ao orgasmo intenso. O ato em si às preliminares demoradas. As loucuras em qualquer lugar às brincadeirinhas sensuais. E se não for "ao menos razoável", abre-se uma porta para o nefasto estragar tudo. Então, atenção nesse ponto! A cumplicidade tem muita importância nesse momento, pois ambos devem se sentir livres para propor novidades, sem medo de serem repreendidos e sem achar que o par está "muito estranho" com novas propostas. Mas, se o casal nunca deu grande peso ao sexo - e existem casais assim - o aumento de carinho entre ambos se encaixa nesse ponto.
Por último, não se deve descartar eventuais disfunções que possam influenciar numa relação e que, caso sejam atenuadas, resolverão a convivência do casal, perpetuando o amor que vivem. São os casos de doenças ou perdas hormonais que precisam ser repostas e, para isso, é bom o casal procurar sempre estar com seu "check-up" em dias e revelar ao outro, caso o médico informe qualquer disfunção (lembre-se da cumplicidade).
Enfim, se você não gostou do texto e acha que tudo tem que ser vivido intensamente, que o amor deve ser uma chama que nunca diminui, que a paixão tem que ser eterna e que o sexo nunca pode ficar "morno", bem vindo(a) a uma vida com mais de um casamento! E não se ache errado(a): cada um tem a vida que quer, baseada nas suas escolhas. Deus nos deu o livre arbítrio! Algumas pessoas procuram um amor intenso enquanto dure, enquanto outras procuram um amor para a vida toda (estou nesse time. rsrs). O importante é ser feliz sempre.
Quanto a minha amiga? Torço para eu estar errado...
Quanto a minha amiga? Torço para eu estar errado...

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