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| Sempre haverá um novo dia! (foto by Sérgio Cruz). |
Nosso país passou recentemente por uma mobilização nacional para retirar do poder um partido eleito democraticamente. Tudo bem que na última eleição pairam dúvidas sobre o resultado, mas nenhum órgão internacional levantou qualquer questionamento sobre alguma forma verdadeira de burlar o sistema eleitoral brasileiro até hoje.
Hoje, temos um presidente que foi legitimamente eleito vice-presidente e legitimamente assumiu a Presidência após um processo constitucionalmente válido e procedimentos legais. Mas, a transição não é fácil, tanto no Brasil quanto no mundo. Estamos num período mundial em que o velho padrão já não consegue "realizar" e o novo ainda não nasceu efetivamente.
Mas, vamos nos ater ao nosso país. Com a posse do vice, uma nova esperança surgiu. Veio com um português irretocável, palavras de otimismo quanto a atitudes sérias e necessárias, sem interesses em reeleição e sim num Brasil melhor - pelo menos é o que disse, vamos ver se vai levar o país a sério.
Encerrou-se um período que será possivelmente conhecido, no futuro, como um dos mais nefastos à economia brasileira, perdendo talvez para o final do Regime Militar e para a quebra do café. E digo isso apresentando meus motivos: O PT não fez o que sempre defendeu e mostrou-se como os personagens principais do livro "A Revolução dos Bichos"! Perderam um momento histórico de entrarem para a eternidade como o partido que levou o país ao primeiro mundo. Preferiram entrar negativamente na história, envoltos num mar de corrupção.
Se fizeram avanços? Sim, fizeram. Mas que não encaminham o país para um futuro melhor, na minha visão, posto que muitos tem caráter assistencialista "eterno". Dos que eu lembro e considero verdadeiros, foi o aumento no ganho real do assalariado, melhoria da vida do interiorano com o projeto Luz para Todos, fomento as pesquisas de tecnologia para exploração de petróleo oceânico que levaram ao pré-sal ( e vou me abster de comentar sobre Petrobrás na era PT)
E o retrocesso? Passaram 14 anos no poder e não fizeram a reforma tributária (e ainda fomentaram o aumento de impostos); nem partidária e a política (onde poderiam ser corrigidos os salários indiretos do Congresso e "podado" os partidos políticos criados apenas para fins de negociações eleitorais); assim como a previdenciária EFETIVA, onde poderiam ter colocado os cargos mandatários vinculados ao INSS em vez de institutos previdenciários e de assistência médica fechados (como ainda são concedidos aos deputados e senadores de forma vitalícia). Fora que em vez de fortalecer as Universidades Públicas, preferiu criar fundos de financiamentos estudantis onde o estudante já sai endividado das universidades particulares sem sequer estar empregado ainda (destaco que isso seria o certo caso nossa economia fosse estável e com baixa inflação, o que não ocorre com nosso país, que tem uma das maiores taxas bancárias do mundo!), em vez de fomentar a universidade pública.
Bem, não entrarei nos outros mais erros daquele governo, pois não há relação com o título. Todavia, foco em um dos projetos que poderiam ter dado certo: o Bolsa Família.
Sob minha ótica, iludiram o povo com o Bolsa Família, que fomentou a retirada de muitas da condição de miseráveis, mas não criou uma sociedade melhor, apenas uma sociedade mais consumista (ainda lembro de uma mãe reclamando que o valor tinha que aumentar pois não conseguia comprar sequer uma calça jeans de R$ 300,00 para a sua filha - é só fazer a busca no Youtube).
E na onda do populismo alcançado com tal "bolsa", muitos governadores se aproveitaram e criaram suas Bolsas Família estaduais, visando unicamente criar os seus "currais eleitorais". E hoje, alguns Estados sofrem as consequências, aliada a má-gestão administrativa - e muitos ainda irão sofrer, penalizando seus habitantes.
Então você poderia perguntar "e o que você faria se não fosse o Bolsa Família pra melhorar o Brasil?". Eu digo: um projeto maravilhoso de criação de renda mínima temporária que eu chamaria de Bolsa Família! Sim, o objetivo do projeto é bem interessante, visto que foi a união de programas criados pelo FHC e Lula (Bolsa Escola + Cartão Alimentação + Auxílio Gás + Fome Zero e outros), facilitando o controle. Mas, eu daria outra conotação que não a consumista (esta, deveria ficar para um segundo plano no projeto).
O objetivo primordial seria usar tal projeto para se fomentar a educação do brasileiro de classe baixa. Para isso, deveriam ser criada a obrigatoriedade dos pais se apresentarem nas reuniões das escolas, acompanhar o desempenho do seu filho e cobrar um melhor estudo do diretor da escola (e não criar formas de "maquiar" a aprovação dos alunos, como se vê em muitos Estados). A manutenção do benefício somente seria mantido caso os filhos tivessem média 6,5 e a escola, média 8,0, o que causaria uma pressão dos pais por resultados (claro que com escalas de metas e planejamento a longo prazo, parecidos com o apresentado no IDEB). Com o acompanhamento e cobrança dos pais, as metas escolares seriam forçadas a serem cumpridas.
Não tenho dúvida que o Brasil, em 13 anos de existência desse Plano com esse foco, já estaria em outro patamar!
Aí você poderia dizer "como é que você afirma isso?". Pautado no que a história apresenta! Países como a Alemanha, o Japão pós-guerra e a Rússia revolucionária (1917), que através de projetos ousados e de longo prazo rapidamente retornaram ao seu patamar de superpotência.
Ok, você pode dizer que nunca fomos superpotências! Tá certo, então vou dar exemplos distintos onde EM 30 ANOS, UM PAÍS PASSOU DE 3o MUNDO PARA 1o MUNDO:
- Singapura: em 1958 deixou de ser uma colônia britânica usada como entreposto comercial ao alcançar sua independência.Porém, seus primeiros anos foram fazendo parte da Federação Malaia (atual Malásia) e em 1965 ela deixou a Federação e fundou uma República Parlamentarista. A partir dessa época é que inicia sua mudança de país com altas taxas de analfabetismo e desemprego, sendo quase uma grande favela como hoje vemos em alguns países africanos, para um dos maiores IDHs e renda per capita do mundo! E a trajetória passou principalmente por 3 pontos básicos: Educação, Judiciário rígido e convites a multinacionais para instalarem polo fabril lá. Todavia, a sua maior atenção foi com a educação, valorizando a pessoa do professor como mestre (inicialmente, sem incentivos a melhores salários) e separando as turmas entre os que aprendiam rapidamente e os que tinham mais dificuldades. Nessa segunda sala, a dedicação do professor era mais cobrada do que no primeiro tipo de turma, buscando nivelar essas turmas. Paralelamente, o Judiciário julgava os crimes independente da posição social do criminoso, sendo aumentada a pena para casos em que o criminoso tem maior nível social ou financeiro, inclusive com a possibilidade de aplicação da pena de morte. Por fim, com a chegada das multinacionais (que trouxeram o conhecimento científico e tecnológico), o incentivo as famílias para desenvolver empresas tecnológicas que dessem apoio, além de fomentar o estudo tecnológico e científico para quem tivesse empresa. Resultado: em 30 anos a pequena nação virou uma superpotência, saindo de uma renda per capita de USD 400.00 em 1960 para mais de USD 52,000.00 em 2015, e o décimo primeiro melhor IDH do mundo, com 0,912 pontos (o Brasil é o 75o).
Como podem dizer que lá é uma ditadura disfarçada, trago um segundo país:
- Finlândia: nos anos 60, esse país tinha uma economia predominantemente do setor primário, sendo um dos maiores fornecedores de madeira e seus derivados para os outros países da Europa, com sua população sendo predominantemente rural e sistema de saúde debilitado, com altos índices de morte por problemas cardíacos. Tudo mudou quando no início dos anos 70 o Governo resolveu mudar a sua educação e saúde. Primeiro, mudou a forma de ensino, capacitando os professores, incentivando o ensino superior e iniciando um acompanhamento para identificar os alunos mais fracos e cobrar dos pais que também os acompanhassem. Na questão da saúde, iniciou um plano piloto de acompanhamento dos habitantes de uma cidade por seus próprios habitantes, numa espécie de "médico da família" pelos vizinhos objetivando a implantação de uma melhor alimentação e a diminuição do tabagismo - sendo expandido para todo o país após o retorno satisfatório do trabalho. Por fim, com o crescimento do nível educacional e visando fomentar o desenvolvimento das empresas, privatizou as empresas estatais nos anos 80, mantendo-se com uma pequena participação, com diminuição de tributos às empresas que trabalhassem com tecnologia e exigissem empregados com nível superior formados nas suas faculdades. Porém, aumentaram os impostos nos produtos de consumo para compensar tal diminuição feita com o incentivo. Nos anos 90, um impasse se criou, pois o país já tinha um nível educacional altíssimo, com as empresas e o governo incentivando as pesquisas científicas e tecnológicas, além do registro de patentes, mas a sua economia se encontrava recessiva pela desintegração da União Soviética - uma das mais fortes parceiras comerciais que tinha. Resolveu então se filiar ao Euro, sendo um dos fundadores dessa comunidade econômica e o primeiro a usar sua moeda. Mais uma vez focou na Educação, reformulando os cursos superiores, e no fomento tributário as empresas de tecnologia. Conseguiu uma transição que resultou num país que hoje está entre os 10 melhores na renda per capita e no IDH, e já pensa em criar uma distribuição de renda média para TODOS os seus habitantes, com um plano ousado a ser implantado no início de 2017 no setor previdenciário (para mais infos, busque no Google). Vamos ver se, mais uma vez, esse país estrutura um norte a longo prazo para os países que buscam maior igualdade social.
Assim, vemos que esses dois países - que tinham um povo pobre num país pobre de recursos, e hoje tem um povo rico num país pobre de recursos, mas rico financeiramente - conseguiram com projetos de longo prazo, seguidos pelos seus governantes - independente da ideologia - apenas fazendo pequenos ajustes.
O Brasil, que perdeu 14 anos com projetos que visavam altas despesas para um crescimento a curto prazo - como os PACs que viraram um fundo de despesas gerando empregos sem qualificação e o Bolsa Família para fomentar o consumo - e vem perdendo ainda com o novo Governo, que não apresenta planos educacionais sérios, apenas projetos para "apagar fogo" das contas que não fecham deixadas pelo governo anterior, diminuindo os gastos sociais em vez de fazer um corte nos benefícios dos cargos mandatários por meio de uma reforma política (nenhum dos países citados neste artigo gastam mais de 0,03% do seu PIB com o parlamento, enquanto o Brasil gasta 0,19%).
Diferente desses países, o Brasil é um país com um povo pobre, mas rico em recursos. Além disso, não se vê nenhum plano de transição da economia do primeiro setor para o terceiro setor - que é o que esses dois países fizeram ao incentivar a economia de tecnologia.
Se em 2002, aproveitando a estabilidade econômica dada pelo governo anterior, o Governo houvesse criado um plano educacional sério para desenvolvimento dos estudos em um projeto de 30 anos, já estaríamos na metade da sua implantação e já teríamos uma posição muito melhor no mundo quanto ao conhecimento em matemática e ciências, em vez dos deploráveis resultados, que só caem a cada ano que passa.
Por fim, transcrevo o texto do livro "A Vida da Razão", publicado em 1905 pelo filósofo espanhol George Santayana, mais precisamente no volume I, ali no capítulo XII:
“O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os selvagens, a infância é perpétua. Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.
Reafirmo: o Brasil está fadado ao sucesso SE FOR LEVADO A SÉRIO! Acorda, meu povo!
